História das Populações Mahi.

Posted in Postagens with tags , , , , , , , , , on outubro 4, 2009 by PAPOINFORMAL

História das Populações Mahi (Resumo)
Traduzido por Ifabimi
Histoire des populations mahi
À propos de la controverse sur l’ethnonyme et le toponyme « Mahi »*
Sylvain C. Anignikin
http://etudesafricaines.revues.org/index86.html

“(…)Uma História das Populações Mahi: Na Controvérsia sobre o “mahi” etnónimo e Topônimo. – Os Mahi agora formam um dos grupos étnicos principais na região de colinas, no Benim. O agrupamento inicial de comunidades pequenas com origens diversas foi unificado do 17º ao 19º século pela sua resistência conjunta contra a monarquia de Dahomey. O uso de “mahi” para referir-se a um lugar e um grupo de gente tem as suas origens nessas relações opostas entre esta monarquia poderosa e muitas pequenas comunidades de aldeias ao longo da sua borda do norte. Os reis em Abomey inventaram este termo pejorativo que sublinhou as qualidades rebeldes e bélicas daqueles a que foi aplicado, para referir-se a esse povo que desafiou o seu poder e o exército espantoso de Dahomey. Durante a era colonial francêsa, esse povo conseqüentemente adotou este topônimo e etnónimo apesar das suas origens largamente diversas.
A experiência histórica, uma vez que viveram há mais de dois séculos, sobretudo em relação ao conjunto de doloroso espaço de poder dominante de Abomey, acabou criando, durante mais de dois séculos, uma identidade social e étnica que proveio de dois fatores principais. O primeiro que estão doentes, são gente que vive nessas comunidades rurais mistas como consequência de muitas migrações feitas, ressalta-se pelas guerras com Abomey. Em segundo lugar, ainda que doentes, essas comunidades, sentiam um ódio intenso pelo Dahomey, uma sensação que os separa em conjunto. Contudo, o processo de formar uma identidade Mahi única é frágil, considerando a persistência de outros sentidos primários da identidade (Djigbenu, Gbanlinu, Devo, Dovi, etc.) e a destruição dos poucos mais grandes centros do poder que tinha tomado a forma entre eles, o Gbowele, Tchahounka e monarquias Houndjroto. Devido a esta fragilidade, o Mahi pôde, contudo, abrir-se em direção a outros grupos étnicos e cooperar com eles no processo de construção como nação agora em andamento na República do Benin, embora eles permaneçam atados à cultura da sua comunidade.”
Atravéz deste texto que traduzi e postei, desejo que o leitor possa imaginar, também, a forma de culto dos mahis e um certo distanciamento da cultura do Dahomey, na época, dominante em Abomey. A partir desta perspectiva e por esta razão nem todo vodún, como vários minas por exemplo, são cultuados na crença mahi, e algumas divindades nagôs o são.

Lenda do Vodún Sakpata

Posted in Postagens with tags , , on outubro 4, 2009 by PAPOINFORMAL
Desejando descansar após criar o mundo, Mawu, deusa criadora, deu aos filhos Sakpata e Sógbó (Grande Ráio – sinônimo de Hevioso aqui nesta lenda Fon) o cuidado de preservar o seu trabalho, mas os dois vieram a se desentender por ciúmes, a partir daí, Sakpata se punha distante de seu irmão para resolver problemas originados em seu reino, o céu.
Como filho mais velho, ele teve de herdar a maior parte dos bens de seus pais, Sógbó achava isso preferência pelo irmão.
Sakpata havia garantido para si uma posição de soberano e tinha uma grande alegria, a de que os homens mostravam reconhecer o seu reinado, porém, começaram a reclamar porquê a chuva que deveria cair regularmente não caía, e começou, então, a haver muita sêca por toda a terra. Eles reclamavam em alta voz com Sakpata, que por vez se lamentava pelo que estava acontecendo em seu reino, a terra.
Um ano se passou sem a menor gota de chuva…um verdadeiro caos.
A agricultura praticamente não havia mais, havia apenas sêca e calor intenso na terra.
Sakpata observou que Lègba, seu irmão caçula que tudo vigiava e contava para Mawu, e um bokonon (advinho) viajavam pela terra falando de Fá e do oráculo sagrado. Ele reuniu-se com eles e rogou por isso, porquê a chuva era esperada e não vinha nunca. Foi consultando o oráculo com eles que soube que havia uma disputa entre ele e Sógbó, os dois aspirantes do título do poder, e essa era a raiz do problema.
Sua solução envolveu um acordo entre as duas partes. Mas, para isso, tinha que o mais antigo se reconciliar com os mais novo e lhe ser fiel. Sakpata teve a dolorosa lembrança de ter esquecido do fogo e da água. Tarde demais?… Ele tinha a visão de como os homens, animais e plantas precisam tanto desta água agora detida no céu por Sógbó. Quando perguntado como é que ainda poderiam salvar a terra, Fá o aconselhou a recolher alguns dos seus bens terrenos. O pássaro Otutu (Oferenda) iria levá-los para o céu e transmitiria uma mensagem para Sógbó, assim foi… e eis que a ave voando bem alto começou a cantar em plena voz: “Sakpata uma notícia para você! Me entenda você, e então? Ele disse que tu abandone a casa, filho, pai, filho, mãe! Me entenda você, e então? ” Como garantia que ouviu e viu o portador dessa notícia Sógbó clareia a terra, lançando um imenso ráio. Assim pode ele reconhecer o pássaro Otutu do irmão caçula que trouxe os presentes e a mensagem de seu irmão mais velho. Otutu disse que Sakpata, mandou dizer que “por ser mais velho, herdou todos os bens de seu pai, mas não havia reconhecido a verdadeira fonte do poder. Água e fogo tinham força para destruir todas as riquezas na terra, que é a razão pela qual o poder volta para aquele que o possui. Assim Sógbó superava a Sakpata.”
E eis que voltou a chover na terra.

Correspondência Geral Entre Merindilogun, Agumaga e Voduns.

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Merindilogun – Agumaga – Vodún

8 Edji Gbe (ou Edjonilè) – 1 Gbe – Dan; Tohosu; Lègba
16 Fechados (ou 16 abertos) Nulo – Recomeçar – 2 Yèku – Kuyito; Nana; Dan; Fá
11 Woli – 3 Woli – Nana; Fá
7 Din (ou Di) – 4 Din – Nana; Hoho
4 Loso – 5 Loso – Tohosu; Toxwyo
15 Wlin (ou Wènlèn) – 6 Wlin – Sakpata; Tohosu
6 Abla – 7 Abla – Dan; Sakpata
1 Aklan – 8 Aklan – Lisa; Hoho
3 Guda – 9 Guda – Gu; Dan; Lisa
9 Sa – 10 Sa – Nana; Hoho
12 Edjila Acèbora (ou Edjila Ashèbora) – 11 Trukpin – Toxwyo; Sakpata; Hoho
2 Edji Oko – 12 Tula – Lègba; Hoho; Dan
13 Edji Ologbon – 13 Lètè – Nana; Gu
5 Tchè (ou Cè) – 14 Tchè – Sakpata; Lègba
14 Ka – 15 Ka – Hèviosó; Hoho
10 Fu – 16 Fu – Mino Na; Kuyito

Neste quadro a numeração do Merindilogun corresponde a cauri aberto (parte interna voltada para cima) e a numeração do Agumaga (Òpèlè) a ordem de chegada do dù.

Dentre os bokonon da região Mahi no Benin, dependendo da tradição obviamente, os awön òrisà são acrescentados, respondendo nestas leituras (caídas), porquê vêm do lado dos nagôs.
Outra prática muito comum é a associação entre nomes de alguns voduns com alguns awön òrisà, quando o mesmo muitas vezes pode representar sinonímia de uma extensa família de voduns.
No quadro fornecido acima devemos lembrar que a família de um vodun também pode responder na respectiva leitura, onde responde seu representante.

O Sacerdote do Culto do Vodún no Brasil e no Benin.

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São sinônimos de mãe em fongbe: anɔ̀; mεjitɔ́; naé; năjinɔ̀; nɔ̀; yă (anò; mèjitò; naé; najinò; nò; ya), e de pai: atɔ́; daá; dadá; dεέ; mεjitɔ́; tɔ́ (atò; daa; dada; dèè; mèjitò; tò). A palavra ya é muito empregada no Benin para designar mãe, deriva do nagô acrescentando uma breve nazalidade à palavra. No Brasil é termo empregado em geral nos candomblés; já a palavra mèjitò, (mejitó em português), mãe ou pai, é muito empregada no Benin em família, e nos candomblés Jeje Mahi no Brasil serve para identificar uma mãe ou um pai sacerdotal do culto de Dangbe, a serpente que sustenta a vida. Dangbenon é o nome dado ao sacerdote deste culto no Benin. Está sob a competência dele o culto dos voduns Dangbe, Dan, Alladahuen; Kpassè; Dangla; Glehue; Kinsu; Ayohuan; Hoho, todas suas iniciações e festividades. O uso de palavra donè no Brazil tem identificado a sacerdotiza iniciada para Ji vodún (voduns do céu: Hu (xu); Mawu-Lisa; Kpatè; Li; Hèbiosó.), e dotè para o sacerdote masculino. No Benin este sacerdote recebe a denominação geral de Hounon (Hunon). O culto do voduns Missa, Mon Yi, Assa, Gnangè, Luvo, Masse e Zo é da responsabilidade do Zonon. O culto de Sakpatá, Loko, Danè, Huesè, Bossikpon, Gu-Ahuan, e Adanvo é da competência do Houessinon (Huessinon). O Bokonon é o responsável pelo vodún Fá. Os nagôs no Benin também empregam títulos para o culto de seus òrisà, um título nagô (de origem yorùbá) que é muito conhecido no candomblé de Nagô-Vodun é “Gayaku”, onde Ga (vem de oga) é qualquer pessoa importante; Ya quer dizer mãe; e Eku significa imortal (não morrer), como em Aiku (imortalidade), então temos: “A importante mãe que não morre” ou “A importante mãe imortal”, obviamente porquê sucede e/ou entra para a história daquele terreiro de Candomblé. Uma outra terminologia muito utilizada no Brasil é dizer “água; águas” para designar uma raiz de culto, ora, isso também é dito no Benin onde “culto” denomina-se “sin; sinsen”, significando “água” o termo sin.

Kposú Vodún.

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Muito tempo antes de surgirem os reinos de Àlàdà (Allada), Agbomè (Abomey) e Xògbónù (Hogbonou; Adjachè, Porto Novo), conforme contam os habitantes ribeirinhos do Mono (Mono Tò), havia o reino precursor de Aja-Tado que se expandiu muito e cuja capital era Tado (atual Togo).
Neste reino havia uma princesa chamada Àlìgbónó que junto com outras jovens perdeu-se em uma floresta durante esse período de expansão, quando depararam com uma pantera ( Kpɔ̀; pronuncia-se /Pó/ em Português; escreve-se Kpô ou Kpò afrancesadamente), então todas correram do animal, mas Àlìgbónó não consegiu escapar e não retornou para os seus pais, aparecendo bem mais tarde e declarando que a pantera havia lhe desposado.
A princesa engravidou e deu a luz a um menino que fora denominado Àgàsú (esposo do adultério) e que mais tarde tornou-se um rei muito ilustre e corajoso.
Àgàsú é venerado hoje como um toxwyo (tokwyo, tohwyo fundador sobrenatural de um clã).
Muito posteriormente em Abomey, na época do rei Agaja, o termo Kposú (esposo da pantera) passa a ser um título de valente general de campo de batalha, tal qual Gahu.
Enquanto Àgàsú é a denominação dada a ele devido a circunstância misteriosa que cercou seu nascimento, não oriundo da união lícita e abençoada pelos pais, seus valorosos feitos, posteriormente reconhecidos, lhe trouxeram fama e este glorioso título de Kposú, um verdadeiro homem-pantera.
Kposú é considerado um ako vodún (vodun étnico) para os Houégbajavi de Abomey, assim como todos os toxwyo, e aliás, conhecido na diáspora onde, também, é cultuado.

A Matriz Carioca do Jeje Mahi.

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Minha saudosa tia Natalina de Oxum (In memorian) do Kwé Sin Fá, herdado por Helena de Dan, hoje em Santa Cruz da Serra, RJ. Tia Natalina transferiu sua casa da Bahia para o Rio de Janeiro, ainda na Bahia iniciou o saudoso Ruy de Oxalá quando ele tinha 7 anos de idade.

A memória do primeiro Candomblé da Nação Jeje Mahi no Rio de Janeiro, ficou registrada pelo saudoso professor, babalorixá e Oluwo Agenor Miranda Rocha (1994: 32) em seus mais de 90 anos de idade:
“As comunidades Jeje encontradas no Rio de Janeiro à época eram as de Rozena de Bessein (azinossibale); a de Domotinha de Oiá (Vodun Zevode) e a de Natalina de Oxum. Todas também no centro da cidade, região da Saúde.
A vinda para o Rio de Janeiro, de Tata Fomotinho, que aqui vai fundar seu terreiro e originar uma extensa linhagem, somente vai ocorrer muito mais tarde, por volta de 1950.” Cita José Flávio Pessoa de Barros (1999: 31).
O saudoso Pai Agenor, como era conhecido em todo os candomblés do Brasil, teve o privilégio de presenciar todo este fato, pois fora iniciado por mãe Aninha, a época de Oba Sanyia. Anteriormente a fundação do Terreiro da Cruz Santa do Opo Afonjá, em Salvador, Bahia, Aninha tinha casa da nação Ketu no bairro da Saúde, e onde tinha por filho-de-santo o saudoso João Alabá de Omolú, que tinha terreiro na rua Barão de São Felix, e que foi Pai-de-santo da famosa Tia Ciata de Oxum e de Maria Adamastor, que foi a 1º Mestre-sala mulher quando se introduziu Mestre-Sala e Porta-Bandeira em ranchos na formação do que hoje conhecemos como Escola de Samba. João Alabá foi sucessor de Aninha, porém, mais tarde a roça foi transferida para o bairro de Coelho da Rocha na Baixada Fluminense, onde até hoje se situa o Opo Afonjá do Rio de Janeiro (Nação Ketu).
Pai Agenor deixa claro que à partir da segunda metade do 19° século, ou seja: Desde o início do Jeje no Rio existiam 3 casas de Jeje Mahi no Rio de Janeiro.
Sabemos que Natalina de Oxum foi iniciada por Mèjitò Adelaide (Domotinha de Oya), ambas naturais da Bahia, e que Mèjitò foi herdeira do Kpo Dagba, a “matriz”, o terreiro da africana Gayaku Rosena (natural de Allada), o qual mais tarde foi transferido para o bairro de Piedade, próximo a Cavalcante, à época de Egbomi Dila que foi filha de Mèjitò por falecimento de Mãe Aninha que foi quem lhe tirou a mão ritualística de seu, então, finado pai-de-santo o africano Cipriano Abedé de Ogun. Abedé, na época, tinha terreiro de Nagô na rua João Caetano, e título de Doutor em Ciências Ocultas expedido por uma universidade Norte-Americana, sendo muito respeitado pelas autoridades.

O Prático Oráculo do Vì.

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A Interpretação do Jogo do Vì (Nóz de Kola com 4 gomos), ou do Inhame, ou com 4 Cauris Pelo Bokonon.

4 partes convexas- Yèku; “É ciòn alò kú ji bo ciòn alò ji.” (Ele apanhou a morte e sua maldição)- Resposta muito negativa;

4 partes côncavas- Djogbè (Edji Gbè); Alihùn; Alafia- Caminhos abertos; paz- Resposta muito positiva;

2 partes convexas e 2 côncavas- Djirè- Favorável; pode surgir ajuda na situação; também revela equilíbrio, é uma resposta positiva, um sim.

3 partes convexas e 1 côncava- Aklan- Hohovi pode estar reclamando uma promessa feita a eles, ou a outro vòdún. Algo falta para obter êxito, é necessário fazer oferenda, e/ou cumprir o prometido;

3 partes côncavas e 1 convexa- Etawà “ E tá we wà.” (A cabeça que se foi)- Cumpre-se o destino e/ou ao que se está determinado. Resposta não muito boa, e pode significar um não, ainda que o bokonon saiba que este conselho pode não ser ouvido, pois falta “a cabeça”. Pode também representar uma perda.

Esta forma de consulta é muito prática e muito usual, contudo a resposta encontrada para a questão deve ser bem empregada de acordo com o caso que se tem. Tal oráculo é precedido de preceitos referentes a sua prática para que a resposta seja realmente dada pelo vòdún.